Barba, cabelo e bigode!

Emocionante. Poucas palavras conseguem expressar tão bem o que foi a noite do dia 8 de Dezembro de 2013 para cada um dos torcedores taquarenses. O Taquaraço buscava o maior título de sua história, ser campeão do grupo V.219 do campeonato nacional. E o taça veio. Não antes sem uma boa dose de dramaticidade.

O alviverde entrou na partida final do torneio não dependendo apenas de si para ser campeão. O clube estava um ponto atrás da equipe dos Discípulos de Chuck Norris, apesar de tê-la goleado impiedosamente por 6×2 na décima rodada e ter assumido a liderança na ocasião. Um tropeço fora de casa para a equipe do Ssntos na rodada seguinte permitiu que os seguidores de Norris pudessem ultrapassar o time taquarense. Além disso, a equipe estava empatada em pontos com a equipe do Abará, estando apenas na sua frente por 2 gols a mais de saldo. Qualquer um dos três clubes poderia sair campeão na última rodada. Abará e Discípulos se enfretariam, e o Taquaraço disputaria sua sorte contra o Kravnos Rebirth fora de casa.

Após ter sido massacrada na primeira rodada da competição, a equipe do Kravnos estava com os 8×1 atravessados na garganta e certamente queria botar agua no chope taquarense. A Taquarada invadiu em peso o estádio local, situado também no Rio Grande do Sul. E enquanto todos os olhos acompanhavam às jogadas no campo, os ouvidos estavam atentos nos rádios que informavam o resultado paralelo que precisava acontecer. Não havia como ser campeão se os Discípulos de Chuck Norris vencessem o seu jogo. E logo aos 2 minutos de jogo boa parte do estádio entrou em festa: 1×0 Abará, o Taquaraço agora dependia apenas de suas próprias forças para ganhar o título! Só que em pouco tempo o que parecia ser motivo de alegria se transformou em motivo de preocupação: com 13 minutos de jogo, o Abará já vencia por 3×0 e parecia que iria patrolar o antigo primeiro colocado. A pequena vantagem taquarense no saldo de gols havia sido evaporada, e talvez fosse preciso correr atrás de um escore dilatado para sair campeão. Mas e quanto estava o jogo entre Kravnos e Taquaraço mesmo? Ah sim, o 0x0 persistia no placar, com o alviverde não conseguindo pressionar o time mandante.

Foi então que, com 21 minutos, Yiorgos Fintanidis, o melhor lateral do campeonato, resolveu subir ao ataque como elemento surpresa e fazer o que os atacantes não estava conseguindo. Gol do Taquaraço, festa de quase metade do estádio. O Taquaraço estava saindo campeão! Mas a alegria alviverde durou pouco. Num lance fortuito, o time da casa chegou ao empate aos 28 minutos do primeiro tempo. Apreensão. O jogo seria difícil e o Kravnos venderia caro esse título. O primeiro tempo seguiu com poucas chances, e ao apito do juiz o clube taquarese ia para o intervalo com um amargo empate que deixava a taça lhe escorrer pelos dedos.

As instruções dadas no vestiário pelo treinador fizeram muito bem para a equipe alviverde, que voltou elétrica para o segundo tempo. Com apenas 2 minutos, uma jogada ensaiada pelo técnico há instantes foi executada com perfeição e deixou o lateral Cálico Benítez livre pra marcar o gol que seria do título! Domínio completo do Taquaraço, que além de não deixar o Kravnos jogar, ainda descia o sarrafo na equipe mandante. A torcida cantava sem parar, apesar de sempre estar ligada no outro jogo. Cada subida ao ataque do Abará era motivo de segurar a respiração e torcer contra. O Taquaraço estava sendo campeão sim, mas tinha o mesmo número de pontos e mesmo saldo que o Abará, ficando com o título apenas pelo critério de gols marcados! Era preciso correr contra o tempo e marcar mais gols.

Pelo rádio, o prognóstico não era bom: o Abará surpreendentemente não jogava bem, mas se segurava bem e parecia que a qualquer momento o quarto gol poderia surgir. E se no começo do jogo a torcida era contra o Discípulos, agora tudo o que a Taquarada queria era um golzinho de honra deles pro título ficar mais garantido. O técnico John Hardman realizou então duas substituições para oxigenar o time: por volta dos 20 minutos, Buchanan e Brkovic entraram para tentar ampliar o placar e assegurar o caneco. A equipe passou a amassar ainda mais o time da casa, e aos 26 minutos não teve jeito: Richard Van Staden de Wit, ele, a contratação mais cara para a temporada, fuzilou o goleiro adversário e fez o 3×1 que encaminhava o caneco para a Arena da Caçapa. Os torcedores mal tinham acabado de comemorar quando pelo rádio chega o grito que todos queriam ouvir: gol do Discípulos! Nova comemoração nas arquibancadas. E o que já era festa virou carnaval. Marko Brkovic, o artilheiro, o predestinado, disparou uma verdadeira bomba e trouxe a goleada. Praticamente toda a torcida da casa começou a se retirar, humilhada por tomar de quatro e ser goleada mais uma vez pelo rival gaúcho. Quatro a um Taquaraço, a torcida visitante já podia soltar o grito de campeão! O Kravnos estava conformado com a superioridade alviverde em campo, e para ser campeão o Abará precisaria fazer 7×1 em pouco mais do que 15 minutos. O título era do Taquaraço!

Mas então, por uma dessas peças que o destino prega, o Abará parou em campo. Talvez a equipe tenha ficado sabendo do resultado paralelo que tirava completamente as chances de título. Ou quem sabe a correria dos primeiro minutos para buscar a goleada tenha cobrado seu preço no final de jogo. Mas o fato é que os seguidores de Chuck Norris passaram a ter ainda mais volume de jogo. A acuar cada vez mais o time visitante em seu próprio campo. E o temor que nem o mais pessimista torcedor taquarense poderia imaginar começou a tomar forma. Aos 37 do segundo tempo, Discípulos descontam mais uma vez, 2×3. E aos 40 minutos chegam ao empate. Silêncio absoluto no estádio do Kravnos: a torcida taquarense havia esquecido completamente o jogo que acontecia diante de seus olhos. Todos os pensamentos estavam no empate improvável que estava acontecendo há milhares de quilômetros dali. Mais 5 minutos de bola rolando, e um quatro gol do Discípulos poderia tirar o título que antes parecia tão certo.

E não demorou pro pior acontecer: numa bobeada da zaga do Abará, aos 42 minutos Avichay Tikva faz um gol de chiripa e vira o jogo para o time de Chuck Norris. Virada épica que dava o campeonato para sua equipe. Seria possível ouvir um alfinete caindo no chão no Nocturnian Pleasure Dome, estádio do Kravnos. O troféu, que desde os 2 minutos de jogo se alternava nas mãos de Taquaraço e Abará, acabava nos últimos minutos do campeonato voltando para a sala de troféus do Discípulos. A taça havia sido arrancada das mãos do Taquaraço, e não havia nada que o time pudesse fazer em campo.

A supremacia dos Discípulos continuava, com a equipe não tirando o pé do acelerador após o gol da virada. Foi ai então que, aos 44 minutos, faltando portanto segundos para o final do jogo, quando a equipe da casa atacava mais uma vez em bloco em busca do quinto gol, o meio-campo do Abará roubou a bola e deu um balão em busca do contra-ataque. A zaga percebe atônita Sebat Nisa recolhendo a bola e ficando frente a frente com o goleiro. Segundos intermináveis para cada torcedor da Taquarada. E o improvável aconteceu: GOL DO ABARÁ. Torcedores do Taquaraço se jogam no chão chorando e agradecendo à divina providência por esse gol no último minuto da partida. Depois disso não houve tempo para mais nada: apito final nas duas partidas, Taquaraço campeão!

Um final de campeonato surpreendente, histórico, único. Que veio coroar uma temporada muito bem organizada pelo clube taquarense. Ninguém jogou mais nos momentos decisivos do que a equipe da Arena da Caçapa. O clube ainda alcançou a artilharia da competição: chuteira de ouro para Pekka Saksvori e chuteira de bronze para Marko Brkovic, que havia sido artilheiro dos campeonatos das duas ultimas temporadas. O clube ainda possui o melhor jogador do torneio, Tommi Anakeinen. O atleta figurou na seleçao da rodada mais do que qualquer outro jogador, 13 aparições em 14 possíveis – o meia taquarense deixou de figurar apenas na seleção da primeira rodada, justamente na goleada acachapante de 8×1 do Taquaraço sobre o Kravnos.

São noites como essa que tornam o futebol tão especial. O Taquaraço chegou a última partida do campenato atrasado na tabela por conta de uma derrota inesperada na oitava rodada contra o Abará, jogando melhor que o adversário. E quis o destino que justamente na última rodada, no apagar das luzes, o Abará fosse buscar um empate fora de casa contra o Discípulos no último minuto de jogo e coroar a temporada taquarense.

E o resto, é faixa no peito e taça no armário.

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